Pra falar bem a verdade, eu não esqueci disso aqui. Nem deixei de gostar de escrever. Mas as coisas foram tantas que a gente acabou é definindo prioridades. Aquela coisa de se arranjar tempo pra tudo e deixar tudo com mais ou menos pouco tempo.
(...)
O casamento aconteceu! E foi lindo. O mais lindo que eu já vi!
Ao meio-dia estava eu com frio na barriga esperando pelo momento do banho quente só pra relaxar. Mas nem banho, nem massagem, nem chá de maracujá. Eu fiquei preocupada com a maquiagem, com o cabelo, com o horário e como não poderia deixar de ser, com o noivo no altar. No pico da ansiedade, eu imagino loucuras. Decidi deixar de pensar. Uma hora antes eu estava pronta e nunca estive tão linda. Linda nas fotos que na minha cabeça já estavam certas demais. Eu estava me sentindo sim o último baconzinho crocante da farofa e achava o máximo tudo aquilo!
... foi mesmo o mais lindo que eu já vi, juro! Bonita até a chuva, o sacrifício pra sair do carro sem me molhar, a tremedeira de quando a porta se abriu e vi muito, muito de longe que (sim!) o noivo estava lá! Lindo olhar nos olhos dele e vê-lo com um sorriso único. Nunca o havia percebido assim, não naquela intensidade, não naquela mistura de lágrimas e um sorriso que me aqueceu por dentro. Eu o amei ainda mais naquele instante como se amá-lo mais fosse ainda possível.
Pra ser sincera, muita coisa eu perdi. Perdi a minha cena passando por entre os músicos com trompete, porque eu queria mesmo era chegar lá em cima. Perdi algumas palavras do padre só pra ouvir o "sim" mais depressa. E perdi até um pouquinho do momento de pegar o buquê de volta antes de sair, mas isso é coisa bem minha mesmo.
E na festa, eu não comi um camafeu sequer, mas sei que a pista de dança estava deliciosa. À meia-noite viramos abóboras! Eu sem maquiagem, ele com a camisa pra fora da calça. Os dois com o coração em saltos e os pés já querendo se acalmar.
A noite terminou bem demais pro melhor dos nossos dias. E um novo sol apareceu na janela do quarto azul dizendo que era esse o momento da vida nova. Como se a novidade fosse agora sermos as mesmas pessoas nos sentindo completamente diferentes.



