
Acabo de ouvir o noticiário dizendo, com aquele toque de sensacionalismo que nos é peculiar, sobre o sequestro da garota da cidade vizinha, a ex namorada do então sequestrador. Acho mesmo que o moço pensou em fazer uma loucura de amor qualquer, sem perceber a proporção que tudo isso iria tomar. Ou talvez tenha sido aquele momento de insanidade em que de tanto pensar, acaba se pensando em nada! O fato é que tudo isso se encaixou feito luva no livro que venho lendo nos últimos dias: “Quem me roubou de mim?”, retratando o sequestro da subjetividade. Diferente desse aí dos jornais, que coloca em cativeiro a pessoa, este outro a que me refiro, aprisiona a alma.
É quando você não percebe que alguém entra em sua vida, lhe aprisiona e, aos poucos, quase sem perceber, o que era admiração vira dependência. É triste... O amor que deveria trazer paz, vira tormento. O doce acabou, a vida desse(a) jovem se quebrou. O preço a se pagar é sempre, de fato, o resgate. Difícil mesmo é o aprisionado acreditar que isso pode ocorrer. Que alguém terá amor suficiente capaz de pagar o preço – seja ele qual for.
Não imagino o desfecho dessa história, mas sei que a atitude de quebrar correntes e resgatar vidas pode ser tranquila e silenciosa, gritando apenas ao coração. “Há pessoas que nos roubam, há pessoas que nos devolvem” - é dessa frase que gosto mais! O amor declarado pode vir na forma de flores, serenata debaixo da janela, declarações públicas, lágrimas pra quem é durão. Mas o que realmente solta as amarras, o que te faz largar a mochila de 20 quilos que sempre carregou num caminhar sem fim, é ter a certeza de que alguém quis lhe trazer de volta. No lugar da posse, a mão no ombro. No lugar do cativeiro, a cerca branca no jardim. Em vez de abuso, apenas a intensidade do amor vivido com tranquilidade.