quarta-feira, 30 de julho de 2008

Vontade que não passa.


Minha vontade de comer strogonoff de carne, com champignon, fritas e arroz soltinho, não passa! Faz um mês, mais ou menos e a bendita continua aqui. Gritando, no primeiro suspiro de um estômago vazio. Chego a lembrar da maciez do filet mignon, dos cantos de boca sujos por um segundo de molho e ouço as batatas estalando entre dentes famintos. Na falta, acabo de comer um pedaço de queijo. Senti que precisava de algo bem salgado, mas a vontade, a vontade não passa!

Queria, ao lado da mesa, uma janela no segundo andar, com vista para as araucárias. E queria ver de lá de cima, que lá embaixo as pessoas parecem quase todas felizes, exceto o moço que luta pra conseguir uns trocados e tem seu pedido, a cada segundo, negado. E queria apreciar as luzes que cercam a madeira, como eu fazia com todas as novidades quando tinha cinco ou seis anos; engraçado como elas me trazem a sensação de que o Natal pode chegar a qualquer momento...

E pediria Coca-Cola, que vinho pra mim não combina com comida. E depois um chocolate pra matar a vontade de doce depois do salgado, daqueles macios por dentro que a gente gosta de derreter na boca antes de mastigar.

Eu poderia, mas não quero cozinhar. Queria mesmo o Baden Baden, me teletransportar. Queria essa sequência de delícias, caminhada entre folhas secas, pés gelados e cama quente. Queria que Campos fosse cidade vizinha pra jantar por lá ainda esta noite. Acho que vou comer outro pedaço de queijo pra ver se passa.

Mas não, eu sei que não vai passar. Vontade sinto mesmo da tua mão em minha perna enquanto a outra sentia os mesmos sabores que eu, da necessidade da presença estando ainda lado a lado, de ouvir The Police deitada em seu peito, de perceber que esperava por esses momentos desde o dia em que nasci. Saudades deu agora da noite em que senti um mundo completo, embora completos tenham sido todos os meus dias desde que te conheci.





segunda-feira, 28 de julho de 2008

De flexibilidade e (com)paixão.


Vai dizer que você nunca fez algo meio à contragosto só porque acreditava realmente que valia a pena suportar a pedra no sapato? Ou porque pelo santo, decidiu beijar as pedras? Ou mais ainda, porque nunca soube ao certo se num futuro nem tão distante, sua inflexibilidade poderia gritar aos quatro cantos o quanto você saiu perdendo por, um única vez, não ceder?

No meio de sentimentos que eu queria só pra mim, verdades que a ninguém interessam, eu realmente me questiono se sou flexível ou mestre na arte de me enganar. Se aceito ou acredito aceitar. Se convenço por essência ou por simples necessidade.

Verdade que minha vida sempre irá mudar! Agora mesmo, deve haver algo por aqui já nem tão meu, com um pouco daquela lição de ontem e já se preparando pro passo de amanhã. Basta que me convençam que aquela é a melhor direção pra uma nova avenida se fazer presente no caminho da minha vida. Mudanças são constantes, bem como essa nossa necessidade de agradar quem me faz bem.

Vejo que no meio de sorrisos soltos, de olhares que realmente importam, sou capaz de suportar incômodos que facilmente rejeitaria numa outra situação qualquer. Visto-me de amiga, cúmplice, companheira de todas as horas e deixo de lado um pouco daquela arrogância que me toma em certas ocasiões.

Sou a última personalidade a ser considerada lábil, mas cada vez mais me descubro capaz de mudar esse alguém que sofria demais por pura incapacidade de adaptação. Uns chamam de política da boa vizinha, outros de amor desmedido e outros, ainda, de uma baita cara-de-pau. Importa mesmo, é que quando realmente vale a pena, ando descalça sobre as pedras, agrado o santo e seus fiéis, faço subir o limiar da tolerância que andava sempre no vermelho e acabo, por fim, tendo a certeza de que mudar, nesses últimos anos, só me fez melhorar.





sábado, 26 de julho de 2008

Um mundo de alguns chatos.



Já tinha me esquecido como é pegar o trem lotado às sete da manhã. Como é lutar pra não cair no vão, se deixar levar pela pressa das pessoas e se sentir num arrastão, lutar por um espacinho num canto seguro, rezar por 50% a menos de gases e outros 80% a mais de braços abaixados ao meu redor.

No fundo, eu até gosto!

Gosto de me distrair entre pessoas porque tenho a mania de ouvir conversas paralelas e imaginar situações. Tiro conclusões sem nunca tê-las visto, me distraio com o moço que nos ensina a chegar na Lapa e se sente o guia turístico e ouço com uma risadinha interior, o discurso do vendedor de revisitinhas "não caia nas armadilhas do português".

Sabe que semana passada não me agradou muito aquele outro porque gritava exatamente quando passava pelo meu ouvido. Juro, era pessoal, só podia!

Pensando bem, talvez eu nem curta tanto assim essa coisa de andar de trem todo dia, vai...

E eu já vi de tudo nesse vagões da vida! De tiozinho vendendo filé de frango em sacolinhas a outro com metade da bananeira nas costas desafiando meu penteado e bom humor. Minha cabeça é sempre a primeira a sofrer com essas coisas. Mas considerando a situação, antes os cabelos despenteados do que qualquer outra parte explorada!

E eu seguia assim, super de bem com a vida e em relativa paz com o transporte coletivo. Até sentir o quarentão de 120 cm de circunferência abdominal virar a mão cheia de dedos e com vontade, vontade mesmo, apertar a minha bunda! Ele mantinha um sorrisinho sacana e aquele olhar de "vem que eu tenho a pegada", que me enche de vontade de xingar, pisar no dedão da unha encravada, mandar desbravar a sexualidade da própria mãe.

No fim desisto de tudo. Procuro o canto mais tranquilo, fico frente a frente que ali as sobrancelhas franzidas assustam os desavisados.

E chego à conclusão: certeza, na próxima, vou de carro!





Mimo!


Ganhei mais um mimo da querida Vanessa, do Essência no Ar.





Fofo, adorei, e repasso pras meninas:

Nanda, do Dália Rosada; Lara, do Meros devaneios tolos. e pra Moça bonita, do A Moça da Janela. Blogs que acabo de conhecer, mas deliciosos de se ler.


Ótimo fim de semana a vocês!


:)


quinta-feira, 24 de julho de 2008

O presente de ontem.



Quase duas dúzias de vermelho-paixão, amarelo-felicidade, cor-de-rosa-carinho, branco-paz e um fascínio-laranja pra me deixar entre saltos, rodamoinhos e carnavais. Os miosótis gritavam tímidos entre cores, afirmando a promessa de amor sincero, de pacto de fidelidade. Vendo você na minha frente com as mãos cheias e um coração transbordando, pude entender o recado: quem precisa de palavras quando tudo o que você consegue é calar o mundo ao meu redor?

Pra completar, traz um sapo de pernas compridas, que é amor antigo desde meus quatro anos. Aguenta o atraso de mais de uma hora e diz que tudo vai muito bem. Liga antes pra desejar boa sorte e, em seguida, me dar os parabéns! Participa de cada mínimo detalhe e se faz presente em cada passo a mais. Você, definitivamente, é tudo que eu poderia desejar, mas de tão bom, nem ousava imaginar...



E esse foi o balanço (sob a perspectiva romântica, claro) da minha colação de grau, ontem. Enfim, o fim! Algumas lágrimas nas homenagens aos pais. No juramento. E também num certo discurso. Sou mesmo uma banana e não nego! Mas essa sensação de missão cumprida, ou parte dela, causa uma mistura de bochechas quentes com calafrio na espinha... Uma felicidade simples, que é das que gosto mais!



Mimos!


E por falar em presentes, ganhei alguns selos de umas queridas e vou já repassá-los!



Da Layz, do Doces Confissões:



Para Holly, do Breakfast at Tiffany, Intense, do Excesso Intenso, Paz, do Dialeto da Paz e Vanessa, do Essência no Ar.




Da Intense, do Excesso Intenso:



Para Camila, do Lendo com Coca-Cola!, Vanessa, do mulher é tudo m@luc@, Layz, do Doces Confissões e Milena, do Blog da Milena.



E os dois últimos da Paz, do Dialeto da Paz:




Que repasso (os dois mesmo) pra Laysla, do Simples..., Patrícia, do Doce Cantinho, Evelise, do Evelise's Blog.




terça-feira, 22 de julho de 2008

Ah, o amor...



Vista o moletom e deixe os chinelos em casa. Sente como areia molhada combina com saudade? É ela que está por trás de cada surpresa de onda gelada em seus pés. E é de saudades e surpresas que se faz o sorriso. De sorrisos que se faz cada um desses seus dias agora tão mais completos. Dizem que um coração cheio é garantia de um vocabulário vazio. Eu custava a acreditar até sentir que do estômago, as borboletas tomaram conta de salas, quartos, livros, fotografias, canções... E já não importa as palavras que faltam, desde que eu perceba que elas nada têm a ver com inspiração. Inspirada eu estava mesmo no dia em que não te deixei passar.

Deixe de lado a camisa só pra eu te sentir meu e pra eu me sentir mais eu. Sente como engano entre mãos e pés gelados, tendo um coração assim tão quente? E veja, é de frios e quentes que se faz um Petit-Gâteau e aqueles sorvetes fritos. Algumas de nossas maravilhas, as maravilhas que são todas nossas. Dizem que a pessoa certa existe para cada um que acredita em certezas e não duvida de um destino quase irônico e pouco sarcástico. Eu custava a acreditar até perceber que nossos caminhos sempre se cruzariam, simplesmente porque até mesmo os nós, os embaraços, os desalinhos, passam pelo mesmo lugar. Mentira! Foi aí que acreditei em destino... em sorte... em Santo Antônio... em mágica... em luas amarelas e tardes coloridas. Até em arco-íris eu passei a acreditar. Sete, pra ser mais precisa. Acreditei em você, em mim, em dois, tanto em nós.

Agora
senta aqui e olhe quantas estrelas... Do que mais gosto nelas? Gosto de perceber que enquanto as vejo em tantas, percebo quase nenhuma. Gosto de fixar os olhos bem naquela ao centro e perceber como só então seu brilho me chama, grita no topo do mundo, pede e consegue minha atenção. Gosto de analogias e metáforas, de ser só sua, de te ter só meu. Gosto de escrever e caminhar assim, de mãos dadas à beira-mar, só pra guardar algumas boas lembranças a mais, ali naquela caixa, que quase já não fecha. E gosto de você. Não um gostar simples, um gostar chocho, um gostar murcho. Gosto... não, amo, porque esse amar está uns 10 metros acima do silêncio, outros 20 acima das diferenças, outros 30 dos erros costumeiros e um infinito a perder de vista dos amores passageiros. Amo porque te amar me faz bem. E amo porque a cada dia, quando senta ao meu lado e sorri, o que você pensa ser um suspiro, sou eu bem baixinho dizendo "que bom que eu te escolhi".




segunda-feira, 21 de julho de 2008

De carne, osso e um tantinho de insegurança.


Já ouvi uma dez vezes que sou super segura e, pelo menos, outras quinze que não tenho medo de nada, nem de ninguém. Mas, até então, eu nunca disse que confiava mais no meu taco que qualquer outra coisa, tão pouco que seria capaz de enfrentar uma escada vertical com mais de três degraus sozinha. A questão é que quando você ouve a mesma coisa, de pessoas distintas, em épocas diferentes de sua vida, vale a pena começar a considerar.

Fui pra auto-análise, hoje pela manhã. Sessão longa que terminou há algumas horas - é óbvio que se não intercalasse o diálogo interno aos afazeres diários teria durado uma meia horinha. Enfim, acho que descobri que talvez, muito talvez, essa imagem de super segura venha da minha altura aliada ao salto alto. Ouvi, certa vez, que pessoas altas transmitem confiança. Agora porque ter mais de 1,70 e saber andar num salto agulha te desvincula da insegurança, ainda não sei!

Lembrei, logo depois, das meninas da faculdade dizendo que eu ando "assim empinada", que tenho opinião, personalidade forte e blá blá blá Whiskas Sachê. Ok! Então, ter medo e ser um pouco irracional de vez em quando só serve no papel de corcunda e maria-vai-com-as-outras, é isso?

No meio dessa conversa comigo para comigo mesma descobri que, a princípio, a história da aparência sempre vai pontuar mais que as ações. Ela vem primeiro, cria uma imagenzinha mental e se alia ao que você faz. O outro, então, considera um comportamento mediante o que acredita ser aquele outro alguém. E dei graças por não ter feito Psicologia! Pensar sobre ser, não ser, eis a questão, cansa, minha gente! E muito!

Só sei que no pacote "pernas compridas e olhos grandes" não entra o item "sou segura e boto pra quebrar" assim, de graça! Engana-se quem pensa que não tenho medo de escuro e assombrações, de celulite no biquini, de bigato na goiaba, de traições, mentiras, mudanças inesperadas. Eu choro e geralmente por pouca coisa. E ainda por cima sou mulher e sofro com o desfrute de um humor lábil alguns dias por mês.

Nem sempre é fácil ser quem (pensam que) você é.



sexta-feira, 18 de julho de 2008

O dia em que decidi.


Sou naturalmente indecisa. Aquela que troca a data do casamento duas vezes, o horário três e liga meses depois só pra confirmar se ainda existem opções. Ou a que se desespera quando pedem pra escolher porque, quase sempre, gosta de muitas coisas. Tá certo que tenho meus rompantes de mulher super decidida, quando olho pra vitrine e digo "é esse". Coisa que ninguém faz mudar! Mas sendo assim desde a época da dúvida entre coxinha e pão de queijo na cantina da escola, como mudar de repente, num dia, quando o assunto diz respeito a escolher o vestido do nosso dia.

Então a hora chegou! E percebi que comprar a Nova Noiva pode ter um efeito ainda mais devastador. Peguei três marcadores de páginas pros preferidos que eu imaginava que iriam existir. Usei mais de trinta! Desisti, lógico! Pensei que na loja fica muito mais fácil, porque você põe, toca a marcha nupcial mentalmente e vê se sente um friozinho na barriga! Bem simples!

A primeira loja impressionava! Era enorme e parecia coisa fina! Mas decepcionou no atendimento, logo de cara! Eu disse que queria ver alguns vestidos. Deram-me uma revista! Fui mais clara e disse: "Amiga, oi? Tem como eu provar ?". E talvez, bem talvez, eu devesse mesmo ter ficado quieta! Fomos pra uma contra-sala, ela e eu. Ah, sim, minha mãe estava junto que mãe nessas horas é fundamental!

A atendente nada simpática abriu um guarda-roupas enorme! Vários vestidos pendurados, um ao lado do outro, em cabides! Meio sujinhos, um pouco cacarentos, mas ela disse que eram só a prova e eu preferi acreditar! Vi o vestido que achei lindo numa revista do Jacques, aos 15 anos. E percebi que ali, pessoalmente, era simples demais. Provei um recomendadíssimo por ela, muito caro e muito justo, que me deixou com um quadril super-ultra-mega-Mulher-Melancia. Cara de pau diz ainda que ficou lindo! Lindo mesmo, imaginava ela, devia ser meu cheque!

Cansei, desisti! Senti-me quase noivinha de Festa-Junina! Indo embora, passei por outro estúdio. Maison. Coisa assim... Vestido lindo na vitrine, lugar bonito, senti que valia a pena. E entrando, agradou de cara! Atendente e dona da loja, especializada em alta costura, nos levou pra uma sala com vestidos impecáveis, embalados em proteções especiais, sem rugas, manchinhas, nem nada! Dessa vez havia um provador. Agora era só domar a indecisão.

Depois de experimentar uns 20, conclui que gostara da parte de cima de um, do meio de outro e de baixo daquele último lá. E assim, foi surgindo no papel e nessa minha imaginação, o modelo de vestido de noivas mais lindo que eu já vi!

Por enquanto, ele deve ser um monte de tecidos com minhas medidas em papéis brancos. Mas eu sei que servirá direitinho no tamanho dessa vontade em fazer do nosso casamento, o dia mais bonito de nossas vidas.





quarta-feira, 16 de julho de 2008

Again.



Não sei porque me dei o trabalho de deletar o antigo Diário. Sabia que ia voltar, certeza!
É quando escrevo que traduzo sentimentos e, definitivamente, não sei viver sem transformar sabores (cores e amores) em palavras.


Escrevo simples, que é pra minha vida descomplicar.



[ Como vocês podem ver, está tudo muito fora do lugar! Ainda sento com mais tempo e tento voltar ao antigo template! Seria bem mais fácil se eu entendesse um tantinho a mais de HTML! Tudo fica fora do lugar nessa casa! ¬¬

Sim, sim, vou readicionando os amigos aos poucos! ]




Amigos, senti saudades! Visitarei cada um em breve, assim que resolver umas coisinhas por aqui!

Beijos todos!