Minha vontade de comer strogonoff de carne, com champignon, fritas e arroz soltinho, não passa! Faz um mês, mais ou menos e a bendita continua aqui. Gritando, no primeiro suspiro de um estômago vazio. Chego a lembrar da maciez do filet mignon, dos cantos de boca sujos por um segundo de molho e ouço as batatas estalando entre dentes famintos. Na falta, acabo de comer um pedaço de queijo. Senti que precisava de algo bem salgado, mas a vontade, a vontade não passa!
Queria, ao lado da mesa, uma janela no segundo andar, com vista para as araucárias. E queria ver de lá de cima, que lá embaixo as pessoas parecem quase todas felizes, exceto o moço que luta pra conseguir uns trocados e tem seu pedido, a cada segundo, negado. E queria apreciar as luzes que cercam a madeira, como eu fazia com todas as novidades quando tinha cinco ou seis anos; engraçado como elas me trazem a sensação de que o Natal pode chegar a qualquer momento...
E pediria Coca-Cola, que vinho pra mim não combina com comida. E depois um chocolate pra matar a vontade de doce depois do salgado, daqueles macios por dentro que a gente gosta de derreter na boca antes de mastigar.
Eu poderia, mas não quero cozinhar. Queria mesmo o Baden Baden, me teletransportar. Queria essa sequência de delícias, caminhada entre folhas secas, pés gelados e cama quente. Queria que Campos fosse cidade vizinha pra jantar por lá ainda esta noite. Acho que vou comer outro pedaço de queijo pra ver se passa.
Mas não, eu sei que não vai passar. Vontade sinto mesmo da tua mão em minha perna enquanto a outra sentia os mesmos sabores que eu, da necessidade da presença estando ainda lado a lado, de ouvir The Police deitada em seu peito, de perceber que esperava por esses momentos desde o dia em que nasci. Saudades deu agora da noite em que senti um mundo completo, embora completos tenham sido todos os meus dias desde que te conheci.













