quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O sequestro em nome de...




Acabo de ouvir o noticiário dizendo, com aquele toque de sensacionalismo que nos é peculiar, sobre o sequestro da garota da cidade vizinha, a ex namorada do então sequestrador. Acho mesmo que o moço pensou em fazer uma loucura de amor qualquer, sem perceber a proporção que tudo isso iria tomar. Ou talvez tenha sido aquele momento de insanidade em que de tanto pensar, acaba se pensando em nada! O fato é que tudo isso se encaixou feito luva no livro que venho lendo nos últimos dias: “Quem me roubou de mim?”, retratando o sequestro da subjetividade. Diferente desse aí dos jornais, que coloca em cativeiro a pessoa, este outro a que me refiro, aprisiona a alma.


É quando você não percebe que alguém entra em sua vida, lhe aprisiona e, aos poucos, quase sem perceber, o que era admiração vira dependência. É triste... O amor que deveria trazer paz, vira tormento. O doce acabou, a vida desse(a) jovem se quebrou. O preço a se pagar é sempre, de fato, o resgate. Difícil mesmo é o aprisionado acreditar que isso pode ocorrer. Que alguém terá amor suficiente capaz de pagar o preço – seja ele qual for.


Não imagino o desfecho dessa história, mas sei que a atitude de quebrar correntes e resgatar vidas pode ser tranquila e silenciosa, gritando apenas ao coração.Há pessoas que nos roubam, há pessoas que nos devolvem” - é dessa frase que gosto mais! O amor declarado pode vir na forma de flores, serenata debaixo da janela, declarações públicas, lágrimas pra quem é durão. Mas o que realmente solta as amarras, o que te faz largar a mochila de 20 quilos que sempre carregou num caminhar sem fim, é ter a certeza de que alguém quis lhe trazer de volta. No lugar da posse, a mão no ombro. No lugar do cativeiro, a cerca branca no jardim. Em vez de abuso, apenas a intensidade do amor vivido com tranquilidade.




26 Comments:

Michele said...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Michele said...

Sei que ando ausente, em inspirações e visitas. Nem mais culpo o tempo... Prometo visitar meus preferidos logo mais, à noite!


;)

Jaya said...

Mi,

Eu, longe daqui que estive, venho correndo te avisar que mudei de casa. Venho logo te avisar do meu novo canto. Então, deleta meu link dos teus preferidos, tá? Rs.

Uns beijos, moça.

P.S.: Espero demais que tudo esteja bem aí pelas tuas bandas. Sinto saudades de passear aqui. Darei um jeito nisso em breve.

Cheiro.

Jaya said...

Ah, sim. E eu VOLTO pra ler o texto!

[Perdão a falta de educação. :D É que acho um pecado ler textos por cima, sem me encaixar nas palavras e falar algo sabendo do que tô falando, sabe?]. Rs.

Até.

Ni ... said...

Michele...

Tocou minha alma... obrigada...

Beijo

KA said...

Mi, querida!
Eu entendo perfeitamente esta correria gostosa que antecede o casamento. Eu mesma terei três meses difíceis a partir de novembro e será difícil dar atenção que gostaria ao blog, mas vamos levando...
Nem se desculpe pelos adjetivos à Marta Cruella. Ela é tudo aquilo e muito mais...

Finalmente, seu lindo post (como sempre!!)
Também tenho acompanhado por alto porque as coberturas sensacionalistas me irritam profundamente.
Posso estar totalmente enganada, mas acho que este garoto, mais do que apaixonado está é gostando do circo que armou, de dar entrevistas, ser o centro de atenção. Enquanto ele brinca de mocinho e bandido, a polícia perde tempo, a população fica com menor proteção, as pessoas do prédio sofrem, os pais sofrem.
Se fosse mãe dele, daria uma boa surra neste garoto quando isto tudo acabar!
MAs o tema que você abordou é realmente importante. Embora pareça tênue, a diferença entre viver um grande amor e viver uma grande doença é muito grande. E muita gente confunde o que é ceder e o que é se anular.
Acredito que para distinguir basta sentir. Se trouxer sofrimento não é amor. Amor é paz.
Bjos querida!
Apareça sempre que der para nos brindar com seus lindos textos.
E tenha um ótimo fim de semana!

Sissi said...

Nossa Michele, adorei! Eu postei sobre o sequestro também, mas por outro ângulo. Fiquei fascinada pelo que escreveu (sinto que pensando no que o livro diz) e agora quero ler também. Eu penso que é doentio quando a admiração vira obsessão, quando você se perde por querer encontrar o outro.
No caso do sequestro, em particular, não consigo ver como um ato de desespero e amor, mas de imaturidade e irresponsabilidade. Até gostaria de ter outra visão, pois essa me deixa muito brava.
Beijos.

marina. said...

É, realmente, revoltante a cobertura sensacionalista da televisão, e, na minha opinião, isso não passa de uma brincadeira de muito mal gosto dos envolvidos no caso. Não tenho 'acompanhado' o caso, mas pelo que pude ver é exatamente isso. Adorei o seu texto, e estou pensando em ler esse livro agora. haha.

ah, e sobre o que você comentou, eu ainda estou na adolescencia, gosto de quase todo tipo de musica, só não me entendo muito bem com o sertanejo e com o tal do pagode. ^^

Layz Costa said...

Mi, quanta saudade virtual de você noivíssima! ._.

Nem me fale desse sequestro, me fez pensar em tanta coisa, refletir tanta coisa, de uma forma mais poética, mais intensa, sobre nossas prisões. No que nós somos reféns de nós mesmos.
Sinto saudade do seu blog, sinto saudade mesmo.
beijo
=*

Revelando Segredos said...

Eu cá na net caçando amigos, e qdo li seu post voltei pra realidade cruel, a menina esta baleada muito mal no hospital, eu to com medo de gnt, medo dos sentimentos das pessoas...

Elis Rosa - www.revelandosegredos.kit.net

.Intense. said...

seu post encaixa tão bem nas coisas que eu ando pensando, Mi. parece que desiludi de algumas coisas, perdi a graça, não sei explicar...mas não quero 'amor' mais se for pra me prender única e exclusivamente, pra ser outra pessoa que não eu, pra isso e pra aquilo...quero um amor pra ser ainda mais feliz, não sei.

ainda ontem ouvi na tv que o rapaz é uma pessoa 'pertubada'...acho que não é nada disso...acho que, no desespero (seja da dor, do ciume, sei lá) ele fez algo sem pensar, e que tomou proporções que nem ele imaginava. duvido que ele queria que terminasse assim, a garota com quem ele queria reatar, em morte cerebral num hospital e ele preso.

oO

sei lá....

Evelise said...

lindo! sempre passo por momentos conflitantes assim, e sabe, gosto de me sentir livre a ser dependente (tem algo relacionado a isso no meu post de hoje, bem de leves, coincidência pouca eu ter vindo te ler só agora o.O)

me surpreendo dia a dia com a leveza e fluidez que você conquista para si, sem usurpar nada da mensagem.
e que a mão no ombro fique para sempre.

(ando sem tempo, MESMO. e tende a piorar ;/)

ótima semana, obrigada por sempre me visitar amiga :)

beijos enormes :***

Vanessa said...

é, foi lamentável o fim que se deu esse sequestro.
é o tal do sentimento de posse o que causou isso. Um dia até escrevi um post sobre isso.
é um sentimento que não liberta, mas aprisiona.

Enfim, ainda temos muito que aprender no quesito amar.

Saudades dos seus posts, querida.
Some não.
beijooos

Peixinha said...

o tamanho dessa crueldade não combina com amor;

adoreiiii;)
bjuxx!!!

Michele said...

Dependência emocional é uma das coisas mais tristes que uma pessoa pode sentir pela outra. Triste demais!

Vc pára de viver sua vida para viver em função do outro...

Beeeeeeeejo minha linda

Michele
http://magricelanapanela.zip.net

Patrícia said...

Amor não tem nada haver com dor...
Amor deveria trazer paz e não essa turbulencia toda...
Saudade grande daqui...
Beijos

Sweet Girl ჱܓ said...

realmente se encaixa mesmo na historia do dito sequestro.. Não foi um simples sequestro, não tinha intenções por tras.. o que ele queria já tava lá com ele.. ele estava aprisionado ao amor deles da mesma forma que ele a aprisonou nele.. sendo capaz de mata-la..
Complicadoo de se entender.. entender o que se passava na mente dele..

Beijos ;*

Ariana said...

Fico simplesmente sem palavras, perplexa qdo vejo esse tipo de situação que o ser humano cria!

bjo

Jaya said...

Mi,

Vejo que o texto foi escrito antes do desencadear da história. E foi tudo tão intenso. Surpresa. Desencontro. Culpados. Inocentes. Confusões.

Tô com a cabeça confusa, pra comentar melhor. Ando com um nó tremendo, nessa hora de falar de mundo, de acontecimentos, de internalizações...

Mas foi bom ter provado tuas palavras. Desfiei algumas costuras impróprias.

Beijo, Mi.

Ah, eu voltei de casa nova. (:

Jéssica Feller said...

é difícil mesmo entender certas coisas... ainda mais quando cada um no país tem uma outra opinião.


um beijo querida

Paz... said...

Miii, que houve? Li o 'Ando assim agridoce' no reader, e qdo venho comentar num tem nada.
Mas vc deve ter seus motivos. Desculpa mas eu li... =D

Eu tbm acredito q sonhos não tem preço e nçao ligue para comentários alheios... ligue apenas para seu coração.

bjos enormes... tava com saudade daqui.

Dri Viaro said...

Oi Marin, mais lamentável ainda a familia da menina querer processar o estado, sendo que o pai "bandidão" já matou mil negos, pode com isso?

Lydia said...

E o fim foi tão doloroso, porém esperado.
Beijão, moça linda!

Isa said...

É sempre bom ler algo que consegue tocar a alma. Eu concordo plenamente com tudo o que você escreveu. É aquele lance do " o que nos prende é a liberdade".
Texto perfeito.

Isa said...

É sempre bom ler algo que consegue tocar a alma. Eu concordo plenamente com tudo o que você escreveu. É aquele lance do " o que nos prende é a liberdade".
Texto perfeito.

Michele said...

Paz querida, o que houve foi o tal perfeccionismo à flor da pele! Ando escrevendo na correria e nunca acho que está bom o bastante!

Um beijo, querida!