quarta-feira, 13 de maio de 2009

Amor, Meg.






Meu tornozelo está mais roído que a prateleira nova que ela descobriu. Minhas tarefas com pano na mão e desinfetante na outra, agora se estendem até bem tarde, no 3º turno do dia. Domingo passado, fui obrigada a acordar às 8h, deixando o sono do meio-dia de lado. E quase sempre, tenho de comer quieta sentada na mesa, sem me mexer, sem suspirar, pra que ela não perceba quão boa está aquela coxinha.

Ela tem uma mania incessante de brigar com o cestinho do banheiro, latindo por 20 minutos sem parar. E agora, arranjou outra inimizade: a vassoura do vaso sanitário. Nesta manhã, pediu leite. Misturei com água, na mesma proporção, como ensinou o veterinário. Tomou tudo, deixou um rastro pela casa feito como de rotina por seus bigodes e voltou sequinha: havia os secado na cortina da sala. Na falta do tapete...

Ontem quando cheguei, sua cama estava de ponta de cabeça. Até aí, normal. Bem comum vê-la entrando debaixo e "camuflada", sair andando pela casa. A questão é que no tédio sem ninguém pra observá-la e dizer "cuticutinha da mamãe", seu cocô era o telespectador. E ela brincou, jogou, espalhou por toda parte. Ao menos ontem, ela não dormiu com ele. Ele, o cocô. Prometeram que isso é coisa de filhote. Ansiosamente espero a mania passar.

Em quase 5 meses, descobri que seu faro é bom o suficiente pra descobrir o tomate em cima da mesa, enquanto vem correndo lá da sala. E como sabe pedir, com um sonoro "Auaaaaauhaaaaa", sendo impossível resistir. Admirei seu sexto-sentido-canino-feminino, capaz de perceber que o Marcos está para chegar sempre 5 minutos antes, acordando de sopetão e esperando de orelha em pé e língua pra fora, com aquela cara de sapeca que lhe é peculiar.

Embrulhei seu canino de leite que caiu logo após eu puxar a fronha que ela agarrou saindo em desparada pela casa, como uma pequena recordação. Coleciono bichos de pelúcia por todo lugar e acabo de encontrar seu porco perdido há dias debaixo da nossa cama. Tenho ainda a pequena mancha que resistiu no banco traseiro do carro - incontinência urinária é um problema nesta idade. Assisti "Marley & Eu" e vi que depois dela, esse filme se tornou o mais bonito do mundo.

E sabe, já não importa o quanto o mundo lá fora me aborreça, no final, são sempre pequenas coisas perto do tamanho do amor que levo aqui, na vida do lado de dentro. Acho até que me tornei mais tolerante, mas sociável, mais brincalhona, mais amante de cachorros. Meu lado cachorreira eu nunca omiti. Mas confesso, cada dia que chego e a vejo tão feliz, me fazendo tão especial, admiro e amo mais essas pequenas bolas de pêlo que não nos pedem nada, mas nos oferecem o mundo em rabinhos felizes e patinhas saltitantes.




segunda-feira, 23 de março de 2009

Há dois meses...


Pra falar bem a verdade, eu não esqueci disso aqui. Nem deixei de gostar de escrever. Mas as coisas foram tantas que a gente acabou é definindo prioridades. Aquela coisa de se arranjar tempo pra tudo e deixar tudo com mais ou menos pouco tempo.



(...)


O casamento aconteceu! E foi lindo. O mais lindo que eu já vi!

Ao meio-dia estava eu com frio na barriga esperando pelo momento do banho quente só pra relaxar. Mas nem banho, nem massagem, nem chá de maracujá. Eu fiquei preocupada com a maquiagem, com o cabelo, com o horário e como não poderia deixar de ser, com o noivo no altar. No pico da ansiedade, eu imagino loucuras. Decidi deixar de pensar. Uma hora antes eu estava pronta e nunca estive tão linda. Linda nas fotos que na minha cabeça já estavam certas demais. Eu estava me sentindo sim o último baconzinho crocante da farofa e achava o máximo tudo aquilo!

... foi mesmo o mais lindo que eu já vi, juro! Bonita até a chuva, o sacrifício pra sair do carro sem me molhar, a tremedeira de quando a porta se abriu e vi muito, muito de longe que (sim!) o noivo estava lá! Lindo olhar nos olhos dele e vê-lo com um sorriso único. Nunca o havia percebido assim, não naquela intensidade, não naquela mistura de lágrimas e um sorriso que me aqueceu por dentro. Eu o amei ainda mais naquele instante como se amá-lo mais fosse ainda possível.

Pra ser sincera, muita coisa eu perdi. Perdi a minha cena passando por entre os músicos com trompete, porque eu queria mesmo era chegar lá em cima. Perdi algumas palavras do padre só pra ouvir o "sim" mais depressa. E perdi até um pouquinho do momento de pegar o buquê de volta antes de sair, mas isso é coisa bem minha mesmo.

E na festa, eu não comi um camafeu sequer, mas sei que a pista de dança estava deliciosa. À meia-noite viramos abóboras! Eu sem maquiagem, ele com a camisa pra fora da calça. Os dois com o coração em saltos e os pés já querendo se acalmar.

A noite terminou bem demais pro melhor dos nossos dias. E um novo sol apareceu na janela do quarto azul dizendo que era esse o momento da vida nova. Como se a novidade fosse agora sermos as mesmas pessoas nos sentindo completamente diferentes.




Sabe aquela música do Cazuza? "Amor da minha vida..."!




quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Só sei do que não gosto.



Continuo buscando inspiração de onde não vem, empolgação onde não tem. Mais um motivo, um inconformismo qualquer. Quando canso de algo, qualquer coisa que seja, eu desanimo por justamente cansar. E canso a cada dia que desanimo mais, como um círculo que nunca se rompe, um vai-e-vem sem fim.

Enquanto eu vivia de fantasias, julgava primordial chegar até lá. E daqui, vejo que fundamental mesmo é um peito cheio e a mente vazia, assim leve. E eu sinto falta disso. Falta de quando dizíamos sorrindo que "ganhávamos pouco pra viver bem"! O que ganho hoje é quase tudo o que me tiram. Tiram-me as forças, a vontade, o sorriso dos dias de sol.

A verdade é que ainda não me acostumei com as pessoas. Pessoas assim, que fazem muito por tão pouco, que fazem tudo quando eu nem disse nada. Cansei dessa falta de sentido que vejo por aí, falta de amor próprio, de amor ao próximo. Falta de bom senso, da vontade de ser bom. Cansei até de mim, eu acho. Dessa vontade que tenho de me atirar do trem em movimento quando sinto que ficar parada no vagão e seguir o movimento, sufoca demais.

Até me lembrei da professora da Pré-Escola dizendo que chorar fazia bem ao coração. E eu digo: ao coração e ao estômago. Ao menos, algo daqui de dentro, que aperta e incomoda, é capaz de libertar-se do lado de fora.

"Dormir também ajuda", dizem. Vou ali abraçar o travesseiro e acreditar que as respostas se ajeitarão entre meus dedos como meus cabelos o farão pela manhã.




sábado, 22 de novembro de 2008

Own!


Vou bem dizer que nossa filha chegou antes até do casamento. Nina é o nome. Uma coisinha pequena, bem cheia de penas e bolas laranjas nas bochechas. Adora colo, adora beijo, adora coceirinha no pescoço... Não fosse o ciúmes da Princesa da casa, ela estaria livre e solta se ajeitando por aqui. Os momentos de liberdade hoje são condicionados, nos ombros da mãe (eu!) ou do pai (ele, óbvio!), de cá pra lá, entre sementes de girassol e biscoitos crocantes.


Não sei explicar essa minha paixão por animais. Acredito ter vindo da infância, personalidade se formando, eu matando formigas por diversão e minha mãe, pra me livrar do então mau hábito, dizendo que "aquela ali, coitada, podia ser a mãe de filhinhos famintos num ninho qualquer". Uma coisa meio culpa, meio sentimentalismo. A questão é que logo em seguida passei a guardar pipocas doces pra tudo o que se movia em meu jardim. Daí pra parar o carro no meio da rua e tentar resgatar um perdido qualquer, foi um pulo.


Mas voltando, a foto fico devendo - o flash não favoreceu seus traços tão marcantes! Pra se ter alguma idéia, é a cara dessa aqui (mas ainda mais bonita, gente!):





Adoro esse olhar... me conquista!



quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Indescritível.


Estava aqui pensando naquela proposta da nossa carta, escrita a quatro mãos, pra imortalizar sentimentos e garantir recordações quando tudo o que se quer, por um segundo, é esquecer. E tem que ter papel, tinta, um coração nas entrelinhas, algumas lágrimas de emoção, tudo misturado a parágrafos que em essência, não têm fim.

Daí pensei, pensei e pensei mais um pouco, até perceber que tudo o que podia, eu já te disse, amor. Eu digo, sempre digo, ainda que na maioria das vezes me faltem as palavras. O combinado está de pé, a carta vai sair. Coloco uma música aqui e tudo vem. Entre Kiss e Elvis Costello, eu me arranjo, te acerto no peito, descrevo nós dois.

Como se fosse possível descrever pés em nuvens e carícias ao coração.




quinta-feira, 16 de outubro de 2008

O sequestro em nome de...




Acabo de ouvir o noticiário dizendo, com aquele toque de sensacionalismo que nos é peculiar, sobre o sequestro da garota da cidade vizinha, a ex namorada do então sequestrador. Acho mesmo que o moço pensou em fazer uma loucura de amor qualquer, sem perceber a proporção que tudo isso iria tomar. Ou talvez tenha sido aquele momento de insanidade em que de tanto pensar, acaba se pensando em nada! O fato é que tudo isso se encaixou feito luva no livro que venho lendo nos últimos dias: “Quem me roubou de mim?”, retratando o sequestro da subjetividade. Diferente desse aí dos jornais, que coloca em cativeiro a pessoa, este outro a que me refiro, aprisiona a alma.


É quando você não percebe que alguém entra em sua vida, lhe aprisiona e, aos poucos, quase sem perceber, o que era admiração vira dependência. É triste... O amor que deveria trazer paz, vira tormento. O doce acabou, a vida desse(a) jovem se quebrou. O preço a se pagar é sempre, de fato, o resgate. Difícil mesmo é o aprisionado acreditar que isso pode ocorrer. Que alguém terá amor suficiente capaz de pagar o preço – seja ele qual for.


Não imagino o desfecho dessa história, mas sei que a atitude de quebrar correntes e resgatar vidas pode ser tranquila e silenciosa, gritando apenas ao coração.Há pessoas que nos roubam, há pessoas que nos devolvem” - é dessa frase que gosto mais! O amor declarado pode vir na forma de flores, serenata debaixo da janela, declarações públicas, lágrimas pra quem é durão. Mas o que realmente solta as amarras, o que te faz largar a mochila de 20 quilos que sempre carregou num caminhar sem fim, é ter a certeza de que alguém quis lhe trazer de volta. No lugar da posse, a mão no ombro. No lugar do cativeiro, a cerca branca no jardim. Em vez de abuso, apenas a intensidade do amor vivido com tranquilidade.




segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Nós



Dia desses eu quis dizer que quando você me abraça, esfrega suas mãos em meus braços e tenta me esquentar, o meu chão estremece, minha pele ferve e minha alma não se cansa de cantar. Logo em seguida, eu quis falar do seu aconchego, que tem o tamanho exato da minha saudade. E me calei. Enquanto você nem percebia, uma lágrima ameaçou lhe dizer, com todas as letras, em alto e bom tom o quanto eu amo, o quanto admiro você. Então apenas coloquei essa mão fria sobre seus dedos quentes a apertando-os contra esse corpo meu, deixei escapar o prazer sentido em cada segundo ao seu lado. Agora mesmo, no meio de dedos revelando pensamentos, lembro desse seu sorriso e me encho de uma paz nunca sentida. Você traz o mundo inteiro pra dentro do meu jardim. E leva, a cada segundo, um pouco mais de um coração que bate no compasso certo e tão cheio de cores do nosso caminhar.